No meio da
travessia um estranho nevoeiro se abate
sobre a cidade formando uma cortina escura e espessa. As pessoas se assustam
Não entendem o que está acontecendo. A ofuscante escuridão desatina suas
mentes. Perdem a noção do tempo. Começam a caminhar sem rumo. Os fios da
memória se embaraçam, formam uma louca ciranda de vozes, de gestos, de imprecações.
De repente faz-se silêncio. Um silêncio ensurdecedor. Palavras se calam.
Ouvidos sangram. O caos se instala. O silêncio desperta o medo. O medo traz a chuva.
Uma chuva fina, fria e dilacerante como o vento norte que atravessa os corpos
impiedosamente. As pessoas procuram desesperadamente um abrigo. Correm de um
lado para o outro. A chuva aumenta. A noite avança célere rumo ao intérmino. O
nevoeiro ergue uma barreira intransponível. O mar oculta as razões da
travessia. As pessoas já não sentem medo, simplesmente porque nada mais faz
sentido. Nada.
(Segundo movimento de Sinfonia Insana Para Uma Cidade Intemporal)
Belíssimo texto. Esperando os outros movimentos.
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