sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Adágio

No meio da travessia um estranho nevoeiro se abate sobre a cidade formando uma cortina escura e espessa. As pessoas se assustam Não entendem o que está acontecendo. A ofuscante escuridão desatina suas mentes. Perdem a noção do tempo. Começam a caminhar sem rumo. Os fios da memória se embaraçam, formam uma louca ciranda de vozes, de gestos, de imprecações. De repente faz-se silêncio. Um silêncio ensurdecedor. Palavras se calam. Ouvidos sangram. O caos se instala. O silêncio desperta o medo. O medo traz a chuva. Uma chuva fina, fria e dilacerante como o vento norte que atravessa os corpos impiedosamente. As pessoas procuram desesperadamente um abrigo. Correm de um lado para o outro. A chuva aumenta. A noite avança célere rumo ao intérmino. O nevoeiro ergue uma barreira intransponível. O mar oculta as razões da travessia. As pessoas já não sentem medo, simplesmente porque nada mais faz sentido. Nada. 
(Segundo movimento de Sinfonia Insana Para Uma Cidade Intemporal)  

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