segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O franco-atirador

Para João Paulo Maia Mendonça

Como era de costume, todo dia e como sempre, parava na porta da escola.
Ficava espreitando pela fresta do portão, sonhando coisas que só ele sonhava.
Ninguém nunca o vira sorrir.
Um dia ganhou um revólver.
Postou-se na pracinha que tem em frente à escola, e se escondeu atrás de uma árvore. Ninguém achou estranho, pois estavam acostumados a vê-lo todo santo dia.
Apontou o revolver para as crianças que saíam da escola.
Sorriu.
A arma era de mentira, mas o ódio era de verdade.
(Miniconto, de Poucas Palavras)

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