Durante toda a tarde daquela
quarta-feira dedicou-se aos preparativos do jantar encomendado com alguma
antecedência. Cuidou pessoalmente de cada detalhe. Acompanhou a preparação de
todos os pratos, das entradas de pão ázimo com especiarias e frutas
cristalizadas, ao prato principal - um peixe à romana com molho de alcachofras
de Jerusalém. Dedicou especial atenção ao Tatin de tâmaras com flores de
lavanda, a sobremesa preferida do Mestre.
Nada de vinho. Recomendou ao
sommelier que apenas dispusesse algumas jarras com água ao lado da mesa, como
pedira Felipe.
Pouco antes da primeira vigília
Maria de Magdala chegou acompanhada de
Felipe e Judas Iscariotes. Como sempre checou tudo com minuciosa
atenção. Conhecia o Mestre e sabia o quanto era exigente, principalmente nos
detalhes.
- O Mestre irá celebrar essa
ocasião apenas com os seus doze apóstolos, portanto nenhum serviçal deverá
ficar para servi-los.
Os apóstolos foram pontuais.
Sabiam que Ele não tolerava atrasos. Espalhados pelo imenso salão da casa dos
pais de João Marcos, emprestada para a ágape, tentavam entender por que quis
celebrar a Páscoa dois dias antes.
Acontece que corria à boca
pequena uma história atribuída a Lucas, “que sábado, quando pregava numa
sinagoga, disseram-lhe que Herodes queria matá-lo”.
A resposta do Mestre teria sido
desconcertante: “Digam àquela raposa, que eu estarei expulsando demônios e
fazendo curas hoje e amanhã e no terceiro dia terminarei minha missão”.
O burburinho que se seguiu chamou
a atenção do Mestre que se acercou do grupo.
- Um profeta não morre longe de
Jerusalém.
Jamais passaria pela cabeça dos
apóstolos que Ele sabia que seria preso nesta noite ainda.
No dia seguinte, à hora primeira,
tomou conhecimento da prisão do Mestre e que Judas Iscariotes, encarregado de
pagar as despesas, havia se enforcado.
(Inspirado
em Lucas 13:31-32)
(Miniconto, de Poucas Palavras)
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